mai 13 2011

Exército Viking?

Apesar da reputação de guerreiros implacáveis e destemidos ter durado mais de mil anos, a maioria dos vikings não era melhor no manejo das armas do que eram no manejo de instrumentos de trabalho.

A capacidade de se defenderem ou às suas famílias e terras era fundamental, no entanto os homens não tinham tempo para treinos. Embora crianças brincassem com armas de madeira e todos soubessem manejar machados e lanças devido à necessidade de usá-las para outras atividades que não a guerra, apenas homens de origem aristocrática ou guerreiros “profissionais” tinham a capacidade de praticar treinos regulares, mesmo que não hajam documentos que confirmem essas teorias.

A profissão de guerreiro, além disso, era algo esporádico. Usualmente seriam homens prestando serviços a quem tivesse poder e recursos para bancá-los, como mercadores e chefes locais. Inclusive, qualquer um que se prestasse a viajar longas distâncias com qualquer tipo de mercadoria, deveria saber manejar armas para a própria segurança.

Assim, a maioria dos homens saberia apenas o básico para se defender.

Por outro lado, a maioria das expedições para pilhagem eram feitas por agricultores normais que procuravam uma oportunidade para melhorarem sua situação com o que saqueavam. Estas forças temporárias conheciam poucas táticas de batalha e baseavam-se, sobretudo, no elemento da surpresa. Os seus navios (e, progressivamente, seus cavalos) davam-lhes a capacidade de atacar rapidamente quando e onde eram menos esperados, além de lhes permitirem desaparecer igualmente depressa.

As batalhas abertas, de exércitos,  já eram uma prática incomum para os vikings.


mai 12 2011

Mini-Curso Johnni Langer em Cuiabá

MINI-CURSO: VIKINGS, REIS E CAMPONESES: INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ESCANDINÁVIA MEDIEVAL, Prof. Dr. Johnni Langer (UFMA/NEVE); Profa. Ms. Luciana de Campos (UFMA/NEVE).

IX Encontro Internacional dos Estudos Medievais da ABREM, UFMT, Cuiabá, 04 a 08 de julho de 2011.

http://www.abrem.org.br/eiem/index.php

Ementa:

O curso tem como principal meta a introdução dos estudos escandinavos aos alunos de graduação e pós-graduação e aos professores de ensino fundamental e médio. Será enfatizado o período final da Alta Idade Média e a Idade Média Central, os momentos onde foram preservadas as principais fontes escritas e materiais sobre a Era Viking. As principais áreas da Escandinavística Medieval a serem contempladas são a Literatura, a História, a Mitologia e os estudos de cultura material. O curso privilegiará a reflexão das fontes e dos estudos críticos, procurando conceder aos interessados condições metodológicas e instrumentais para a pesquisa do mundo nórdico, ainda muito precária e incipiente em nosso país, tanto em publicações quanto de interesse pela academia.

Conteúdo programático:

Primeiro módulo: História e Literatura da Escandinávia Medieval

Concedermos um panorama básico sobre as principais fontes para o estudo da História escandinava, concentrando-se na Era Viking (crônicas históricas escandinavas e não escandinavas, relatos de viajantes estrangeiros, inscrições rúnicas, objetos da cultura material) e nas fontes literárias produzidas no final da Alta Idade Média e Idade Média Central (Eddas, sagas islandesas, poesia escáldica, literatura européia traduzida ao nórdico). Como complemento, discutiremos alguns temas e problemáticas advindas dos estudos históricos e literários, bem como um balanço da historiografia tradicional e da Nova Escandinavística.

Segundo módulo: Mitologia e religiosidade nórdica pré-cristã

O módulo será dividido em três momentos principais: um panorama das principais fontes para o estudo da mitologia e religiosidade (literárias, iconográficas e arqueológicas); os principais temas, problemáticas e perspectivas dos estudos de mitos nórdicos; as teorias mais importantes, as escolas de pensamento e perspectivas metodológicas para as investigações da mitologia e religiosidade escandinava.

Terceiro módulo: Alimentação e cotidiano na Escandinávia da Era Viking

O módulo discute os hábitos alimentares e o cotidiano material relacionado com alimentação entre os povos nórdicos alto-medievais (utensílios, cerâmica, áreas e instrumentais de processamento dos alimentos, etc). Dentro dos pressupostos teóricos definidos por Massimo Montanari, entenderemos a alimentação como um processo cultural, e não apenas hábitos advindos da biologia, e neste sentido, buscamos entender este tema como manifestante de ideologias, conflitos, aquisições, permutas, identidades, etc. Também apresentaremos alguns experimentos realizados em gastronomia histórica, que reconstitui pratos escandinavos medievais, aproximando os pesquisadores de uma “Arqueologia do gosto”.

Fonte

mai 12 2011

Alimentação

Escavações arqueológicas mostram que a dieta dos Vikings era constituída de muitas frutas, nozes, grãos, carne, peixe e mariscos. Sendo a carne e os peixes – devido à proximidade com o mar e rios-, a alimentação mais comum. Sabe-se pouco sobre os métodos de cultivo e coleta da época e se possuíam hortas ou jardins.

Cereais

- A cevada, que era usada para fabricar cerveja e o próprio pão de cevada.

- O centeio, usado para fazer pão, provavelmente duro.

- A aveia, usada para alimentar o gado e fazer uma espécie de mingau, que, geralmente, comiam como primeira refeição do dia.

- O trigo, que era raro e caro, consumido pelas pessoas mais ricas.

- Não se sabe se cultivavam a levedura, “mas eles certamente fizeram uso de leveduras selvagens, utilizando agentes, tais como soro e leite azedo, e a levedura residual da fermentação.”

- A farinha era feita de nozes (incluindo bolotas) e leguminosas (feijões e ervilhas), e mesmo a partir de casca de árvore. A camada interna da casca de bétula, seca e moída, produz uma farinha com um sabor doce e altamente nutritiva.

- O pão era feito sem fermento (devido à escacez, o fermento era separado para a cerveja), e era cozidos em fornos de barro no formato de bolos ou biscoitos e podiam ser aromatizados com nozes, sementes, ervas ou queijo. Ou usados ​​para incluir peixe ou carne para assar.

 

Laticínios

- O leite era raramente consumido, pois davam preferência a feitura da manteiga, do queijo, de um tipo de “requeijão” e o skyr (um tipo de queijo branco).

. O leite provinha de vacas, éguas, ovelhas e cabra e era um produto sazonal, disponível apenas na primavera, quando as fêmeas estavam em lactação.

- O queijo podia ser consumido fresco, mas era comumente salgado e fermentado, para preservarem durante o inverno.

 

Ovos
– Estes vinham de galinhas, gansas, patas e todos os tipos de aves selvagens, ovos de gaivota eram considerados uma iguaria especial.

 

Carne

- Era consumida por todas as classes, mesmo os mais pobres tinham acesso a carne de caça. Os animais eram mortos antes da chegada do inverno, para seus donos evitarem de alimentá-los e poderem preservar a carne a tempo – utilizavam sal, secagem de fumo ou armazenamento em salmoura ou vinagre.

- Bois ou vacas, animal de tração, era prioridade que fossem fonte de leite antes de carne.

- Porcos, sua carne era a mais largamente consumida.

- Cabras e ovelhas, que, também, serviam prioritariamente como fonte de leite.

- Cavalos, provavelmente consumidos, mas proibidos a partir da chegada dos cristãos.

- Patos, galinhas e gansos.

- Bezerros

- Lebres

- Javalis

- Esquilos

- Veados

- E renas e ursos polares em algumas regiões da Escandinávia.

 

Peixes, crustáceos e moluscos

- Os peixes eram colocados do lado de fora da casa no vento frio e podiam ser fermentados, conservados em soro de leite, salgados ou defumados.

- Em algumas áreas, o peixe representava 25% das calorias diárias.

- Peixes de água doce: salmão, truta e enguia.

- Peixes de águas profundas: arenque e bacalhau.

- Camarão, mexilhões, ostras.

- Focas e golfinhos.

- Baleias, caso alguma encalhasse na costa ou se aventurassem a caçar, sendo sua carne e outros produtos, muito disputados.

 

Frutas e Vegetais

- As frutas e as castanhas eram um complemento importante da dieta.

- Os frutos eram mergulhados em mel e sacos para armazenarem para o inverno.

- As frutas eram largamente consumidas, sendo estas maças, amoras, framboesas, morangos, amoras, cerejas.

- Desconheciam a batata, por razões óbvias, mas consumiam cenoura, nabo, aipo, espinafre.

 

Ervas e Temperos

- Endro ou Aneto, era utilizado para dar sabor aos peixes.

- Semente de papoula

- Mostarda

- Funcho, também utilizado como tempero para os peixes.

- Coentro

- Cebola

- Alho

- Vinagre

- Algas, usadas para temperar alguns pratos.

- Sal, obtido da evaporação da água do mar ou importado.

-Mel, maior parte obtida na Escandinávia, mas por vezes tinham que importar.

- Algumas especiarias também eram importadas: pimenta cominho, açafrão, gengibre, cardamomo, grãos do paraíso, cravo, noz-moscada, canela, anis e folhas de louro.

 

Bebidas

- A bebida mais comum era a cerveja, que é classificada em três formas: uma de teor alcóolico baixo, de sabor adocicado (muitas ervas eram utilizadas para dar sabor a cerveja); a variante mais comum, com mais teor alcóolico, chamada björr ol; e uma variante forte, chamada Mungat.

- A cerveja era consumida inclusive por crianças, devido aos poços e riachos serem, geralmente, contaminados (provavelmente eram ou tinham contato com as latrinas).

- Hidromel era a bebida usada em celebrações, fabricada a partir da extração do mel.

- Além da cerveja, bebiam leite, água e sucos.

- Os vinhos eram importados pelos ricos de outras regiões da Europa.

__________

Fontes:

- Ydalir Vikings

- Úlfélagar

- BIRRO, Renan M. “Colonização, alimentação, sobrevivência e cultura. A Dieta islandesa durante a Era Viking (800 – 1066)”. IN: Anais do VIII Encontro de História da ANPUH, Espírito Santo, 2010. Download

- CAMPOS, Luciana de. “Um banquete para Heimdallr: uma análise da alimentação viking na Rígsþula.” IN: História, imagem e narrativas, nº 12, abril/2011. Download

- Recomendo, também, a leitura da bibliografia de Massimo Montanari.

mai 12 2011

O termo “viking”

Como o termo viking atingiu uma conotação étnica?

Podemos apontar para um caráter totalizador de alguns historiadores ou escritores em geral, em agrupar povos, sua cultura e religião. E tais termos prevalecem até hoje na necessidade de serem desconstruídos, não só na Escandinávia Medieval. Entretanto, neste caso, não há sequer uma concordância entre os historiadores e entre os linguistas, nem quanto sua origem nem quanto a exatamente quem se referiam, além de se defenderem muitas raízes – escandinava, inglesa e mesmo latina – para o termo “viking”.

É importante salientar que a confusão inicia-se com o termo normando, empregado por alguns historiadores – e aqui recomendo o artigo de André Szczawlinska Muceniecks[1] – para se referir aos escandinavos, conotação que se torna errônea em muitos casos, além da própria utilização do termo como caracterização de um agrupamento étnico.

Seguimos, então, para o debate em si. A teoria com mais destaque, seria de que provêm de víg (batalha) ou vík (enseada, fiorde, riacho ou baía)[2] de origem escandinava e em uma tradução literal sendo “onde a terra encontra o mar”, destacando que Vík era o nome de uma região norueguesa (referente aos fiordes de Oslo), “de modo a significar um homem daquela região; mas esta teoria é inaceitável”.[3] Sua origem do inglês antigo, seria wic, que significa “acampamento” ou, ainda, sua origem latina, vicus, que significa “cidade”, “vila”, que entretanto são menos utilizadas em fontes anglo-saxônicas, sendo provavelmente a origem escandinava a mais assertiva.

Aprofundando-se, encontra-se uma ligação firme entre o termo viking e o væringjar (os varegues em português), que será discutido posteriormente. Além de diversos termos que outros povos usavam para designar os vikings:

Francos Normanni,  Vikverjar[4] ou  Westfaldingi[5].
Anglo-Saxões Dani ou Wiccan (“povo que acampa”)
Germanos Ascomani (“homens de madeira”)
Irlandeses Gall (“forasteiro”) ou Lochlannach[6] (“nortistas”)
Bizantinos e Árabes Rus (vindo do sueco ruotsi – “remadores”)
Gregos Βáρaγγoι (do antigo escandinavo Væringjar)
Espanhóis Madjus (“mágicos pagãos”)

 

 

 

 

 


[1] MUCENIECKS, André S. “Notas sobre o termo viking: usos, abusos, etnia e profissão”. IN: Revista Alethéia de Estudos sobre a Antigüidade e Medievo, volume 2/2, ago/dez 2010.  Download

[2] HAYWOOD, John. “The Penguin Historical Atlas of the Vikings”. Penguin Books, 1995. Comprar

[3] BRONDSTED, Johannes. “Os Vikings: história de uma fascinante civilização”. Editora Hemus, 2004. Comprar

[4] Provavelmente, viajantes do mar.

[5] Noruegueses de Westfold – ligados com os que vieram através do mar Britânico da Irlanda.

[6] Além desses termos, pode-se encontrar Dubh, que significa preto, para designar os dinamarqueses e Finn, que significa branco, para designar os noruegueses.

abr 18 2011

Mini-curso Johnni Langer em Assis

INTRODUÇÃO AO ESTUDO DAS SAGAS ISLANDESAS: FONTES, TEMAS E MÉTODOS

Prof. Dr. Johnni Langer (UFMA/NEVE);

IV Ciclo Internacional de Estudos Antigos e Medievais, UNESP-ASSIS, 22 a 25 de agosto de 2011

http://www.assis.unesp.br/neam/

Ementa:

O curso tem como principal meta a introdução dos estudos sobre sagas islandesas ao público universitário e aos interessados em geral. Serão enfatizados os conceitos, as principais fontes primárias e suas traduções e edições contemporâneas, os estilos e gêneros, os temas, as teorias e os principais métodos para o estudo da literatura prosaica da Islândia Medieval (séculos XIII ao XV). As principais áreas da Escandinavística Medieval a serem contempladas, neste caso, são a Literatura, a História e a Mitologia.

Conteúdo programático:

Primeiro módulo: Conceitos e classificações das sagas islandesas (2h)

O módulo abrangerá os conceitos, as classificações e as principais sagas de cada sub-gênero, especialmente as Sagas de família, as Sagas Lendárias e as Sagas de Reis.

Segundo módulo: Temas e métodos no estudo das sagas (2h)

Serão abordados os principais temas passíveis de investigações nas sagas, como aspectos sociais (família, identidades sociais, conflitos entre categorias, gênero, poder e política) e culturais (língua, religiosidade, símbolos, mitos). Também serão vislumbrados as principais teorias e métodos para análise, do século XIX até nossos dias, bem como um perfil dos principais estudiosos da área.



abr 7 2011

Cronologia Básica

Traduzido de Viking Answer Lady

Pré-História

Data Evento
4000 B.C. Início das migrações Indo-Européias na região do Mar Cáspio e no sul das Estepes Russas.
1500 B.C Início  da Era do Bronze na Escandinávia
1000 B.C. Povos proto-germânicos iniciam seus primeiros assentamentos na atual região da Escandinávia e começam a desenvolver sua língua, cultura e religião separada dos indo-europeus.
500 B.C. Início da Era do Ferro na Escandinávia
ca. 500 – 200 B.C. Os celtas dominam a maior parte da Europa Continental.
ca. 200 B.C. Povos Germânicos Orientais (Godos, Burgúndios e outros) migram da Escandinávia para o leste da Europa, assentando-se próximos às Estepes e o Mar Negro. Povos Germâmicos Ocidentais migram para o sul em direção a atual Alemanha, deslocando os Celtas que ocupavam a região até então.  

 

A língua proto-germânica é dividida em North Germanic (por exemplo, Nórdico Antigo, que, eventualmente, se tornou Dinamarquês, Norueguês, Islandês, Sueco, Faroês), West Germanic (por exemplo, Germânico Continental e Anglo-Saxão, que, eventualmente, se tornaram Alemão, Inglês, Iídiche e Holandês), e East Germanic (se tornou o Gótico que não sobreviveu nas línguas modernas).

ca. 250 – 100 B.C. Desenvolvimento das Runas.

Período Romano

Data Evento
ca. 150 – 100 B.C. Os Germânicos encontram os Romanos pela primeira vez.
100 B.C. – 500 A.D. A prática de sacrificar/executar pessoas em pântanos ocorre frequentemente na Escandinávia, especialmente na Dinamarca.
9 A.D. Hermann (Arminius) derrota os Romanos na Batalha da Floresta de Teutoburgo.
ca. 50 A.D. Os primeiros artefatos com runas sobreviventes – broche Meldorf – são feitos na Dinamarca.
98 A.D. Públio Cornélio Tácito escreve Germania, primeira descrição dos povos germânicos e sua cultura.

Era da Migração ou dos “Heróis”

Data Evento
ca. 325 – 400 A.D. Os Godos são convertidos para o Arianismo. Ulfias escreve a sua tradução do Novo Testamento, o único trabalho que sobreviveu escrito na língua dos Godos (Gótica).
378 A.D. Os Godos derrotam os Romanos na Batalha de Adrianópolis.
406 – 407 A.D. Um coaligação de tribos germânicas atravessam o Reno para o território romano e tomam terras.
410 A.D. Alarico, rei dos Visigodos, conquista Roma.
436 A.D. Os Hunos, apoiados pelo Imperador Romano Aetius, conquista o reino dos Burgúndios ao lado do Rio Reno, matando o Rei Gundahari (o ancestral histórico de  Gunther/Gunnar da Saga dos Volsungs).
449 A.D. Hengest e Horsa iniciam a conquista Anglo-Saxã da Britânia.
ca. 450 A.D. As tribos da Germânia Ocidental, que vivem perto do Mar do Norte (Anglos, Saxões e Frísios), começam a adicionar novas runas ao Elder Futhark para lidar com as mudanças de sons em seus dialetos, criando o Futhork Anglo-Frísio.
493 – 526 A.D. Rei Teodorico, o Grande, heróis proeminente nos contos germânicos, reina em Roma até sua morte.
ca. 500 – 530 A.D. Vivem os ancestrais históricos de Beowulf, Hrothgar, Hrolf Kraki.
ca. 639 A.D. Data do enterro (barco funerário) de Sutton-Hoo, uma rica sepultura germânica contendo artefatos de fabricação sueca.
659 A.D. Penda, último rei pagão da Inglaterra, morre em batalha.
696 A.D. Radbod, Rei dos Frísios, rejeita as tentativas de convertê-lo ao cristianismo.
ca. 700 A.D. Nórdico Primitivo (Nórdico Rúnico) dá lugar ao Nórdico Antigo.
ca. 737 – 1160 A.D. Construção de Danevirke (N.T.: muralha dinamarquesa).
772 A.D. Carlos Magno inicia sua guerra de exterminação dos Saxões pagãos, destruindo o Irminsul (N.T.: pilar para realização de cultos).

Era Viking

Data Evento
793 A.D. Invasores vindos do Norte saqueiam o monastério Anglo-Celta de Lindisfarne.
ca. 795 A.D. Invasões nórdicas inciam-se na Irlanda.
ca. 800 A.D. O Elder Futhark é substituído pelo Younger ou Sixteen-Rune Futhark.
ca. 800 – 810 A.D. Reinado de Godfrid da Dinamarca.
810 A.D. Morte de Carlos Magno.
ca. 810 – 827 A.D. Reinado de Harald Klak da Dinamarca.
ca. 827 – 853 A.D. Reinado de Horik Godfredsson da Dinamarca.
ca. 835 A.D. Invasores dinamarqueses aliam-se com o Córnicos contra o reinado de Ecgbehrt de Wessex.
ca. 840 – 870 A.D. Reinado de Halfdan, o Negro, da Noruega.
ca. 844 – 845 A.D. Invasãoes Nordicas na Espanha Moura iniciam-se.
ca. 845 A.D. Embaixada de Al-Ghazal’s para Turgeis, Rei dos Vikings na Irlanda.
ca. 851 A.D. Primeiras invasões nórdicas em Gales, registrados nas crônicas Annales Cambriae, Brut y Tywysogion e Brut y Saeson declarando que Cyngen ou Cinnen morreu pela espada dos “pagãos”.
ca. 852 A.D. Os Suecos Rus se tornam dominantes próximo ao Rio Volga.
ca. 853 – 873 A.D. Reinado de Rorik da Dinamarca.
ca. 860 A.D. A descoberta, pelos nórdicos, da Islândia.
ca. 860′s A.D. Ragnar Loddbrok morto em York.  

Os Rus encontram Novgorod e Kiev.

870 A.D. Início do povoamento da Islândia.
ca. 870 – 945 A.D. Reinado de Harald Harfagra da Noruega.
ca. 873 – 891 A.D. Os Reis Sigfred and Halfdan co-reinam da Dinamarca.
878 A.D. Alfredo, o Grande derrota Guthrum/Guthorm e força os Vikings a aceitar o Cristianismo em troca da Inglaterra.
Harald Harfagra completa a unificação da Noruega e das Ilhas Orkney, muitos noruegueses fogem para a Islândia.
ca. 890′s A.D. Reinado de Helgi da Dinamarca, seguido do reinado sueco na Dinamarca sob Olaf, o Sueco.
ca. 910 – 990 A.D. Vive o poeta/guerreiro Egill Skallagrimsson.
912 A.D. Gongu-Hrolf e seus homens tomam terras na Normandia como vassalos do rei da França. Seus descendentes se tornam Normandos.
ca. 920 A.D. Ulfljotr, o Norueguês, traz a Lei de Gulathing para a Islândia, onde é usada como modelo para as posteriores leis islandesas.
ca. 922 A.D. Ibn-Fadlan, um embaixador árabe aos escandinavos Rus ao longo do Rio Volga, escreve sobre seus costumes, incluindo uma completa descrição de um enterro utilizando um barco funerário.
930 A.D. Primeiro Althing realizado em  Thingvellir na Islândia, criando o Estado Livre Islândes.
ca. 930 – 1011 A.D. Vive Njal de Berthorsknoll.
ca. 935 – 950 A.D. Reinado de Gorm, o Velho, da Dinamarca.
946 A.D. Reinado de Hakon, o Bom, da Noruega.
947 A.D. Início do Reinado de Olafr Tryggvasson da Noruega, Noruega adota o cristianimo.
950 – 983 A.D. Reinado de Haraldr Bluetooth da Dinamarca, Dinamarca adota o cristianismo.
982 A.D. Eirikr inn Rauda (Eric, o Vermelho) descobre a Groelândia.
983 A.D. Início do reinado de Svein Forkbeard da Dinamarca.
ca. 986 A.D. Povoamento da Groenlândia.
1000 A.D. Islândia oficialmente se converte ao cristianismo, entretanto a prática pagã é permitida em privacidade.
Olafr Tryggvasson morre.
ca. 1000 – 1005 A.D. Leifr Eiriksson realiza sua viagem para a América (Vinland), mas suas tentativas de se estabelecer são impedidas pelos skraelings (Índios Americanos).
1014 A.D. Brian Boru derrota os Nórdicos na Irlanda na Batalha de Clontarf, tanto Brian como Jarl Sigurdhr de Orkney são mortos.
1030 A.D. Rei Olaf, o Santo, é morto em Stiklestad.
1066 A.D. Haraldr Hardrada, rei da Noruega, é morto durante sua tentativa de invadir a Inglaterra contra Harold Godwinsson, o rei inglês.
Harold Godwinsson é morto em Hastings pelas forças do Duque William, o Bastardo, da Normandia. 

Início da Conquista Normanda.

A prática de pilhagem, de “ser viking” chega ao fim.

Período Pós-Pagão

Data Evento
ca. 1075 A.D. Adam de Bremen escreve Gesta Hammaburgensis ecclesiae pontificum.
ca. 1117 – 1118 A.D Grágás, a lei islandesa é escrita.
ca. 1122 A.D. Ari Thorgilsson escreve Islendingabok.
ca. 1175 A.D. A pimeira versão de Anel dos Nibelungos (Nibelungenlied) é criada na atual Alemanha.
ca. 1180 A.D. Theodoricus Monachus escreve Historia de antiquitate regum Norwagiensium.
ca. 1185 – 1223 A.D. Saxo Grammaticus escreve Gesta Danorum.
ca. 1200 A.D. Ibn-Dihya escreve a sua versão da embaixada de Al-Ghazal’s ao rei dos vikings na Irlanda.
ca. 1200 – 1450 A.D. As Sagas Islandesas são escritas.
ca. 1200 A.D. Orkneyinga saga é escrita por um autor islandês desconhecido.
ca. 1220 A.D. Snorri Sturluson escreve the Prose Edda (A Edda em Prosa).
ca. 1225 A.D. Snorri Sturluson escreve Heimskringla.
1226 A.D. Tristams saga é produzida através da tradução de Tristan de Thomas da Britânia como pedido do Rei Hakon Hakonarsson.
ca. 1230 A.D. Egils saga Skallagrimssonar é escrita, provavelmente por Snorri Sturluson (nota: sendo 240 anos após a morte de Egill).
ca. 1245 A.D. Laxdaela saga é escrita por um autor desconhecido.
ca. 1280 A.D. Brenu-Njals saga é escrita por um autor desconhecido (nota: escrita depois de 269 anos da morte de Njal.)
ca. 1250 – 1300 A.D. A maioria dos poemas da Poetic Edda, que estavam circulando oralmente desde a Era da Migração, são coletados e escritos no Codex Regius, o manuscrito mais antigo contendo os poemas da Edda.
ca. 1300 A.D. Sturlunga saga, uma coleção de sagas históricas escrita por vários islandeses durante o século XIII é compilada.
abr 5 2011

Produção Comercial

A população dispersa das terras do norte fazia com que cada camunidade agrícola fosse uma unidade auto-suficiente, o que gerou, a longo prazo, com que muitas pessoas desenvolvessem diversas capacidades básicas em vários ofícios. Muitas acabavam sendo atraídas por mercados e centros de comércios, onde montavam suas oficinas e se tornavam artesãos, como ferreiros e fabricantes de jóias.

Tais especializações permitiu-lhes dominar técnicas mais complicadas – os ferreiros, por exemplo, aprenderam a arte da soldadura, com a qual passou a ser possível soldar extremidades de aço endurecido nos núcleos de ferro trançado, permitindo, assim, a produção de armas que podiam ter (e reter) uma extremidade afiada sem se tornarem frágeis. Outros desenvolveram a fundição de metais em moldes de forma a conseguirem responder à crescente procura de alfinetes e pendentes. Um exemplo famoso  demonstra quais os itens produzidos para a exportação e para o consumo local – um molde, encontrado na Dinamarca, que era utilizado tanto para fabricar martelos de Thor como crucifixos cristãos. Haviam, ainda, outros artesãos especializados, como os ourives, os sapateiros e aqueles que fabricavam artigos em osso e chifre.

abr 1 2011

O Guerreiro

Os vikings usavam, sobretudo, as roupas de seu dia-a-dia para guerrear embora, dependendo das riquezas possuídas pela pessoa, seu equipamento poderia ser muito simples ou bastante requintado, com um elmo, cota de malha, espada, machados, etc…

Conforme indicam fontes e achados arqueológicos, as lanças e as saxes eram as armas mais comumente usadas, devido à facilidade de sua produção, que não exigia um alto nível de habilidade por parte dos ferreiros. Espadas eram armas extremamente cobiçadas e muitas vezes não eram produzidas na Escandinávia. Machados eram comuns, mas a maioria surgia da adaptação de simples machados de trabalho para o uso em combate, embora alguns eram desenvolvidos especialmente para isso. Ou seja, num geral, excetuando as espadas, as outras armas ou eram ferramentas em tempos de paz ou adaptações das mesmas.

Quanto as proteções, não há muito que tenha sobrado do período. Representações imagéticas indicam o uso abundante de escudos, que eram de fácil fabricação. Os escudos eram redondos, possuíam um centro de ferro (bossa/umbo) e uma empunhadura central. O escudo, na maioria das vezes, era a única proteção que um guerreiro possuía e muitos viajavam com mais de um escudo, pois eram extremamente frágeis. O tamanho do escudo variava, de 40cm, como revela algumas fontes, até 95cm, como os de Gokstad. Não se sabe até que pontos eles eram revestidos ou se possuíam bordas, já que alguns escudos encontrados tinham tinta direto na madeira e nenhuma borda sobreviveu, apesar de diversos escudos terem furos nas beiradas. A madeira era fina e era mais grossa no centro. Isso podia deixar a estrutura menos firme, mas reduzia o peso consideravelmente.

Elmos eram raros. Apenas um elmo inteiro foi encontrado na escandinávia datando do período, o de Gjermundbu, embora outros achados da mesma época corroborem com a imagem de elmos com viseiras, tal como eram usadas em estilos anteriores, como os de Vendel e Vaslgarde. No entanto, é mais possível que os elmos fossem simples elmos cônicos com uma tira nasal, se é que realmente fossem usados em escala considerável. O provável é que apenas homens com certo grau de riqueza os possuísse. O mesmo vale para cotas de malha.

Nota: A imagem dos elmos com chifres ou asas não corresponde à realidade. Provavelmente surgiu como interpretação a elmos usados em rituais ou a imagens representando homens com chifres. Essa imagem ganhou força durante o romantismo e perdura até os dias de hoje, embora, na prática, chifres nos elmos apenas atrapalhariam numa luta.

mar 31 2011

Introdução à navegação

Os vikings desenvolveram concepções e técnicas de construção que lhes permitiam produzir navios que não só eram rápidos como também possibilitavam a navegação em águas bastante rasas, o que facilitava o desembarque em quase qualquer margem. Por não necessitarem de portos, era-lhes muito mais fácil explorar, colonizar novas terras e fazer comércio com as pequenas povoações estabelecidas nas margens e nos rios, bem como atacá-las. Com a inclusão de remos nos navios, reduziram a necessidade de ventos favoráveis.

Os cascos dos navios eram constituídos por tábuas sobrepostas, presas uma à outra, geralmente de carvalho. Está técnica possibilitou criar um navio com um revestimento exterior forte, leve e mais hidrodinâmico, o que lhes dava uma movimentação rápida e diminuia o efeito de resistência. Sendo os navios leves, podiam ser transportados por terra de um rio para o outro, sendo uma vantagem decisiva nas rotas comerciais estabelecidas através da Rússia até o Mar Negro e o Oriente Médio.

O tipo de navio mais conhecido e associado aos vikings é o drakkar ou drekar, entretanto existiam outros, maiores e menores, que serviam desde o transporte de pessoas bem como para a travessia do Atlântico.


 

 

mar 31 2011

Início da Era Viking

Por volta do final do século VIII, os vikings começaram a deixar suas terras de origem (Noruega, Suécia e Dinamarca) por diversos motivos.

Alguns eram comerciantes que partiam em busca de novas oportunidades comerciais propiciadas pelo desenvolvimento do noroeste europeu, além de manterem as que já possuíam, outros eram agricultores em busca de terras próprias ou mais férteis, enquanto alguns eram simplesmente salteadores que procuravam por riqueza imediata.

A crescente procura por matérias-primas escandinavas, como o ferro fez com que os comerciantes entrassem em contato com outras regiões e novas possibilidades, além de um clima mais favorável para a plantação e mosteiros desprotegidos e cheios de riquezas – a fascinação pelas riquezas que poderiam ser obtidas através da “pirataria” foi um importante fator dessa migração[1].

Outra razão é relacionada à superpopulação está ligada, principalmente, a prática comum da poligamia[2], era comum aos homens terem muitas mulheres e, consequentemente, muitos filhos.

A tradição viking apenas permitia que o filho mais velho recebesse a herança dos pais, o que poderia ter motivado, também, muitos pobres e jovens sem terras a procurar fortuna em outras terras.


[1] BRONDSTED, Johannes. Os vikings, 2004, pg. 22.

[2] Ibid, pg. 20.